sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Entrevista - Vinícius Evaristo

A palavra superação poderia ser usada como sinônimo para skate de todas as formas, desde superar o preconceito contra o skate antigamente, até se superar com uma manobra nova. A palavra superação também pode definir muito bem o perfil de alguns skatistas, que com sua vontade em andar de skate ultrapassam tudo. Um bom exemplo disto é Vinícius Evaristo, skatista profissional brasileiro que atualmente vive nos EUA, superando a distancia da sua terra natal e com muita determinação vem mostrando aos gringos seu trabalho beneficente com o skate e superando uma grave lesão no joelho, confira agora mais um pouco sobre Vinicius Evaristo.

Foto- Heverton Ribeiro


Nome: Vinicius Evaristo Tinoco
Idade: 27 anos
Tempo de Skate: 14 anos
Local: Ribeirão Preto, SP
Patrocínio: Next Up Foundation, InterSP Skateboard Demos E Genovesi Products.



SS- Você começou a andar de skate no interior de SP, conte-nos como foi este começo e quem eram suas influencias nesta época?
Foi no final de ano, mais precisamente Dezembro de 2004. O skate virou uma febre na rua onde eu morava e eu era o único que não tinha um. Daí como bom menino de periferia, fiz meus rolos e consegui montar um. Todos pararam menos eu, sempre me inspirei em pessoas que estavam ao meu redor, inspiração local mesmo. A maior inspiração era o Marcelinho Almeida.

SS- Fale um pouco sobre a Inter SP e o que ela representou na sua vida?
A InterSP foi se não a maior, uma das maiores metas realizadas e de mais valor na minha vida. Nós simplesmente fizemos um trabalho pioneiro no Brasil, fizemos muitas Demos pelo interior de SP e MG, muitos campeonatos de base, inclusive dois circuitos no interior. Nós éramos apenas um grupo de amigos com muita vontade de contribuir para a evolução do esporte e com boas idéias. Tínhamos nossa própria Skate Park, nossas próprias rampas e com tudo que fizemos, nós incentivávamos muitas pessoas. Nós nunca tivemos um Skate Shop e mesmo assim conseguimos cotas de patrocínio de várias marcas.

SS- Atualmente o skate é uma ótima ferramenta de inclusão social aqui no Brasil, com vários projetos sendo executados e apresentando ótimos resultados, me lembro que você foi um dos primeiros skatistas a dar aulas na FEBEM, como aconteceu esta oportunidade e como foi essa experiência?
Me impressiona bastante o tanto que você sabe sobre mim. Esta foi uma oportunidade que eu agradeço até hoje. Primeiro a Deus e em segundo ao Sandro Soares “Testinha”. O Sandro sabia da existência da InterSP e conhecia nosso trabalho. No momento não me lembro como aconteceu, mas o Sandro fez o convite. Ele desenvolveu o programa de skate na FEBEM e tinha a intenção de expandir o programa e me convidou, eu aceitei e tive uma das melhores experiências da minha vida. Logo mais estará acontecendo aqui no sul da Califórnia.


SS- Você fez parte do time da Urbanus, que tinha uma equipe de skatistas mais focados em andar na rua, como foi esta época e qual a sua melhor lembrança deste período?
Essa época foi muito divertida, fazer parte do time da Urbanus foi uma honra, especialmente ter Elton Shin como Team Manager. Infelizmente a marca era pequena mas com bastante identidade, foi muito bom fazer parte do mesmo time que Denilson Moraes e Marcus Vinícius “Kamau”. Uma das melhores lembranças daquela época era receber a cota da Urbanus em casa (risos), na verdade eu gostava muito de ir para Campo Grande e andar com os amigos de lá. Aquela cidade tem muitos picos bons e muitos skatistas bons também.

SS- Sua passagem para Pro aqui no Brasil foi em 2006, como foi este momento e o que mudou na sua vida a partir deste acontecimento?
Na verdade eu passei para Pro porque acredito que tinha experiência suficiente e técnica também. Em uma entrevista para a revista 100% (especial amadores) fui chamado de “Amador Profissional” pelo trabalho que fazia com a InterSP, o que me deixou muito feliz. Mas assim que passei para Pro eu vim morar nos EUA e não tive a oportunidade de construir uma carreira sólida no Brasil. Por este motivo ninguém no Brasa me conhece.

SS- O que o motivou a ir morar nos EUA e como foi esta mudança?
O motivo maior foram os vídeos, assim como todos, eu sempre assistia muitos vídeos e sempre quis morar aqui. Morar aqui pelo simples prazer de andar no asfalto preto e liso, morar aqui só para dar “Grinds” no concreto bom, morar aqui pelo amor ao skate, viver o Califórnia Lifestyle!
Esta mudança foi bem drástica, pois eu sabia que teria que trabalhar para me sustentar, pagar o aluguel, comprar comida e assim vai, mas nas horas vagas o skate consta e o prazer é muito grande.


SS- Como é a sua vida morando fora do país e quem são seus companheiros de sessão?
Agora eu trabalho 3 dias na 3Bros. Racing (Motorcycle Shop) em Costa Mesa e 3 dias entregando Pizza. Ando sempre com o Genovesi e com o Bozo, esses são os companheiros mesmo de sessão e sempre que tenho oportunidade ando com os manos do Brasa que moram aqui também.

SS- Em sua opinião qual a principal diferença entre o mercado de skate americano e o mercado de skate do Brasil?
Essa pergunta é bem famosa né! Bom a maior diferença é que o mercado do skate americano proporciona para o skatista profissional ter uma vida decente, digamos confortável, do jeito que o skatista merece ser tratado e no Brasil isso não acontece.
Isso devido a muitos motivos que se for escrever aqui vai tomar muito espaço, mas resumidamente é bem isso.

SS- Recentemente você sofreu uma lesão no joelho, conte um pouco sobre ela e como foi que isto aconteceu?
Foi na pista publica da Volcom, andando no Banks. Meu joelho esquerdo já estava lesionado e eu estava andando com o peso do corpo todo na perna direita, então fui dar um Blunt to Fakie e meus pés saíram do shape bem na hora que fui puxar o skate para voltar na transição. Pisei na transição com o pé direito e todo meu corpo veio para baixo em cima do joelho direito (que estava bom) e minha perna dobrou 90 graus para o lado de fora formando uma letra “L”. Foi assim que minha perna ficou, ao vivo, foi à pior coisa que eu já presenciei não gosto nem de falar!


SS- Fale um pouco sobre o momento da cirurgia e o longo período de tratamento até voltar a andar de skate?
Passei por duas cirurgias, a primeira para salvar o Menisco. Os médicos conseguiram dar uns pontos no Menisco e manter ele no meu joelho. Infelizmente não pude fazer o Ligamento Cruzado Anterior, pois ainda não tinha movimento de amplitude suficiente, minha perna ainda estava muito inchada, esta foi em 9 de Outubro de 2008.
A segunda foi em 4 de Dezembro para reconstruir o Ligamento Cruzado Anterior , neste dia tive que voltar para a emergência do hospital, pois os remédios contra a dor que eu tomava não estavam resolvendo nada e tinha muita dor, uma dor insuportável que me fez chorar muito. Então os médicos acabaram me dando 5 injeções de morfina na veia, foi horrível. Fiquei 10 meses sem tocar no carrinho, foi um período miserável na minha vida que me fez refletir bastante e tomar gosto por outras coisas alem do skate. Com esta lesão passei a soltar Pipa na praia (risos) e a praticar “Bikram Yoga” o que me ajudou bastante durante a recuperação alem da fisioterapia é claro.
Hoje em dia o meu joelho não é o mesmo de antes, pois meu corpo cria muito tecido de cicatrização (Scar Tissue) o que impede de dobrá-lo como antes e sinto minha perna ainda fraca comparada com a esquerda.

SS- Qual a sua dica para os skatistas que se encontram lesionados neste momento?
A minha dica é para que sigam todas as orientações médicas, pois eles sabem o que estão falando!
Sigam todas as orientações dos fisioterapeutas, pois eles são anjos da guarda e não se compare com outras pessoas que estão na mesma situação que você, pois não há regras para a recuperação. Uns se recuperam mais rápido enquanto outros se recuperam mais devagar, eu ainda estou me recuperando.

SS- Quais são seus planos para o futuro?
Meus planos para o futuro são fazer que minha fundação a “Next Up Foundation” ( www.thebesttrick.org ) seja bem grande e que possamos ajudar o máximo de crianças possível.
A Next Up Foundation é uma continuação do trabalho com skate na FEBEM que estou desenvolvendo aqui, e estaremos trabalhando a principio em Santa Ana com crianças carentes. E reativar os trabalhos com a InterSP o mais rápido possível.

SS F/S Flip Foto-Heverton Ribeiro


SS- O skate sempre nos leva a diferentes lugares, lugares até que nós nunca imaginamos estar, a onde você espera que seu skate ainda te leve?
Eu espero que o skate me leve ao final da minha vida com a sensação de que eu fiz o que tinha que fazer, e eu tenho certeza que isto vai acontecer pois estou trilhando o caminho certo!

Agradecimentos: Primeiramente a Deus por me dar saúde para continuar a batalhar pelas minhas metas, a meu pai por ser meu herói, minha mãe por toda a ajuda em toda minha vida e se não fosse por ela não estaria morando aqui, ela fez meu sonho se realizar. A família InterSp (muita saudade), Samantha e Andre Genovesi em especial por me estender a mão quando cheguei aqui e não sabia para onde ir nem o que fazer (ele foi meu guia), a todos que contribuíram para a fundação da Next Up Foundation, Bozo por estar comigo no dia que me lesionei e em geral todas as pessoas que de certa forma me ajudaram a fazer qualquer coisa, é difícil citar nomes

2 comentários:

Colletividade skatevideo disse...

q naipe mano vinicius sempre represntou bem interior paulista sangue nobre agora representa o brasa la fora!! abxao ai firma saude paz felicidades sakte sempre!!

mortal_skt disse...

SUMEMO JAO !... SO ANDO DE SKATE POR CAUSA DA INTERSP TENHO MAIOR RESPEITO PELO OQ VC È E OQ VC FEZ, BOA SORTE NA SUA CAMINHADA abraço