sábado, 16 de junho de 2018

Treino funcional funciona?

Durante algum tempo tive o privilégio e o prazer de ser colunista da revista Tribo, que sempre foi uma grande influência é referência para o meu trabalho e principalmente para a minha formação como skatista. Hoje resolvi compartilhar um texto que escrevi para a revista falando sobre a importância do treinamento funcional dentro do skate, um tema atual e de relevância para os skatistas.
“Gostaria de falar sobre uma metodologia de treinamento importante dentro do skate, mas que nem sempre apresenta os resultados esperados pelos skatistas, o treinamento funcional.
Este tipo de treinamento visa melhorar a capacidade funcional, que é a habilidade de realizar as atividades normais da vida diária com eficiência. Ele é caracterizado pela semelhança do trabalho com as situações cotidianas e baseia-se no princípio da especificidade (direcionado a alguma modalidade).
As situações do cotidiano requerem o emprego de movimentos e gestos motores que exigem o trabalho de diversos grupos musculares ao mesmo tempo. A proposta dos exercícios funcionais é justamente promover ações musculares em conjunto e simultâneas, proporcionando um trabalho corporal mais globalizado e completo. E o que isso tem a ver com o skate?
Sempre que temos por objetivo otimizar desempenho em uma atividade bem específica como o skate, precisamos entender os padrões de movimentos e as necessidades do seu praticante, para então avaliarmos o indivíduo, estudarmos seus pontos fracos e depois desenvolvermos estratégias de treinos para que ele melhore seu desempenho sobre o skate e minimize o risco de lesões.
Neste ponto, vemos muitos skatistas reproduzindo padrões de movimentos e exercícios voltados para outros esportes ou somente para atividades de vida diária e com pouca utilidade para seu objetivo sobre o skate. É muito importante que os professores entendam sobre o skate e seus pontos de performance, lesões e que os skatistas deixem claro suas metas para que a preparação física dentro do skate cresça, com skatistas bem condicionados, índices menores de lesões buscando a evolução do esporte e satisfeitos com os resultados do seu treino.
Na preparação física, o objetivo é um fator determinante. Se o seu treinamento visa somente uma melhora na qualidade de vida, os padrões de movimentos utilizados e a intensidade proposta não influenciam diretamente no seu skate. Agora se o treinamento visa uma melhora da performance no skate, a periodização e os movimentos aplicados têm que ser específicos e muito bem trabalhados para que o resultado final agrade a todos, tanto o skatista como seu preparador físico".
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

sábado, 2 de junho de 2018

Lesão no menisco em skatistas

As lesões dos meniscos são muito frequentes no skate devido à alta incidência de torções de joelho em manobras de giro que não saem com perfeição. Rupturas meniscais normalmente ocorrem em conjunto com outras lesões no joelho, principalmente com a do ligamento cruzado anterior (LCA). Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas e têm basicamente a função de amortecer forças aplicadas ao joelho em todo o arco de movimento. Ou seja, quando você corre, rema ou da um ollie, o menisco “amortece” e distribui melhor seu peso para que não haja sobrecarga na cartilagem articular.
Classicamente, quando lesionados, os meniscos causam sintomas característicos, como dor bem localizada com períodos de alívio e agravo a determinados movimentos, como agachar e cruzar as pernas, inchaço, e bloqueio (travamento). É aquela dor na região de dentro ou de fora do joelho que tem períodos de melhora e piora, e que, muitas vezes, obriga o paciente a dormir com uma almofada entre as pernas.
Historicamente, o tratamento das lesões meniscais se dava pela retirada de pedaços ou até mesmo de todo o menisco. Técnica denominada meniscectomia. Isso ocorria porque não se tinha ideia da importância do menisco para a função do joelho e de sua íntima relação com a cartilagem articular. O resultado desses procedimentos amplamente realizados, principalmente nos anos 90 e até a metade dos anos 2000 é de uma grande quantidade de pessoas com graus variáveis de artrose.
O consenso mundial hoje é que deve-se ao máximo preservar o menisco em pacientes jovens com lesões extensas, e nos casos em que há desvio de eixo (pernas tortas), pois estes casos podem evoluir mais rápido para degeneração (desgaste) e se tornarem de difícil tratamento. Isso, especialmente em pacientes jovens que sofreram lesão traumática há pouco tempo.
O desenvolvimento de técnicas novas de sutura, incluindo fios e dardos absorvíveis facilitou muito a indicação do procedimento que hoje se limita a uma pequena parcela dos pacientes, principalmente aqueles que tem a chamada lesão degenerativa, comum em indivíduos com mais de 40 anos.
O procedimento é feito por artroscopia, na qual o cirurgião visualiza e manipula a estrutura através de portais (pequenos furinhos da regiao anterior do joelho). Existem inúmeras técnicas, marcas e dispositivos de sutura para que seja realizada. Ao terminar, o cirurgião testa a estabilidade do menisco. Estando firme, fecha-se os portais e inicia-se o período pós-operatório.
Neste caso o uso de muletas é recomendado pelo período de seis semanas, onde o fisioterapeuta realiza a eletroestimulação do quadríceps, mantém o arco de movimento e analgesia. Após as seis semanas, dá-se sequência ao ganho de força e agilidade, direcionados ao skate e o retorno às sessões, entre quatro e seis meses.
Infelizmente, nos casos em que a cicatrização não ocorre, uma nova artroscopia é necessária para se retirar o fragmento lesionado, seguido da reabilitação tradicional e retorno ao skate.
A preparação física é o melhor caminho para se proteger de lesões, portanto prepare seu corpo para andar de skate e aumente sua longevidade sobre ele.
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

sábado, 26 de maio de 2018

Recuperação muscular no skate

O skate é uma atividade física de alto impacto que costuma trazer bastante desgaste físico ao skatista. A recuperação muscular pós sessão vem sendo de suma importância hoje para muitos skatistas que vivem atrás da evolução no skate, e hoje vamos mostrar algumas ferramentas que contribuem para uma recuperação muscular mais efetiva deixando o corpo pronto para as próximas sessões.
A primeira opção é o bom e velho alongamento. Não existem evidências científicas que provam que os alongamentos podem aliviar a dor muscular pós-treino. Porém na prática, os alongamentos estáticos podem ajudam a melhorar o fluxo sanguíneo entre as fibras musculares, removendo produtos do metabolismo que causam as dores musculares.
Outra técnica simples e de grande utilidade é o gelo (crioterapia). Existem várias técnicas de aplicação, o banho de imersão no gelo, por exemplo, é uma prática bastante comum. A baixa temperatura de uma banheira com água e gelo faz com que o processo de microlesões pelo esforço físico seja interrompido e o skatista consiga ter uma recuperação muscular mais rápida. Para dores localizadas, usar bolsas de gelo após a sessão pode ser uma boa solução, mas o skatista deve ter em mente que esta estratégia pode ser uma forma de mascarar uma lesão mais grave”, alerta o fisioterapeuta.
Mais uma técnica que está em alta é a liberação miofascial com bolas ou o rolo. O skatista desliza o corpo sobre um rolo de material plástico rígido, que promove uma melhor circulação sanguínea e melhora a amplitude de movimentos.
Outro recurso são os aparelhos de estimulação elétrica, onde há uma grande quantidade de aparelhos que podem ajudar o skatista com a dor muscular. Os que emitem correntes elétricas, por exemplo, ajudam a modular a ação dos nervos melhorando a dor e a tensão muscular. No Brasil, é um pouco mais difícil ter acesso aos aparelhos geradores de correntes terapêuticas, mas no exterior eles são bem mais acessíveis e de fácil manuseio.
Um pouco mais simples e também com grande utilidade são as roupas de compressão que promovem uma compressão dos músculos. Essa técnica estimula um maior retorno venoso e drenagem dos líquidos contidos entre as fibras musculares, responsáveis pela dor e a sensação de peso no corpo. Todas estas técnicas desde as mais simples até as mais complexas podem te auxiliar a diminuir as dores musculares pós sessão de skate, indiferente do seu tempo de prática ou nível de skate.
Cuidar do seu corpo é cuidar de você e prolongar sua vida útil sobre o skate.
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

domingo, 20 de maio de 2018

Importancia do agachamento no skate

O agachamento é um dos melhores, mais completos e mais desafiadores exercícios que existem. Faz parte da trinca de principais exercícios de força que um skatista deve fazer. Só que fazer um bom agachamento não é das coisas mais simples que existem, e por isso é importante ter conhecimento sobre o assunto antes de sair fazendo e enchendo a barra de peso.
O agachamento é um movimento básico. Isso não significa que seja um movimento simples. Isso quer dizer que a trajetória de agachar em direção ao chão pode sofrer diversos efeitos reflexos como contorções e contrações involuntárias. Os joelhos podem trepidar, os calcanhares saírem do chão, as costas flexionar para frente ou para trás. Mesmo quem já treina a algum tempo pode ter alguma restrição de mobilidade que dificulta a realização perfeita do movimento do agachamento.
Esse movimento exige mobilidade do tornozelo na flexão, estabilidade do joelho para não fazer o movimento valgo (para dentro). Mobilidade do quadril mantendo em flexão suficiente, estabilidade da lombar para evitar flexões da pelve, extensão torácica e mais uma vez estabilidade agora da escápula para ajudar a segurar o tronco e estabilidade da cervical.
Na prática é fácil entender que tudo isso fica mais difícil quando se desce abaixo dos 90 graus. Realmente passar dos 90 graus é muito mais difícil que um agachamento parcial. Quando se quebra a paralela, os glúteos e adutores são altamente acionados, além de mais exigência de força para o quadríceps e isquiotibiais. Apesar de ser um exercício de dominância de joelho, passar os 90 graus envolve mais dominância de quadril.
Apesar do mau entendimento relativo ao agachamento profundo, ele não faz mal aos joelhos.O maior torque de pressão na articulação do joelho se encontra no ângulo exato de 90 graus. E não em profundidade total.
A medida que você passa dessa angulação, o pico de pressão começa a reduzir, aumentando a pressão nas coxas e panturrilhas que geram suporte para a articulação do joelho. Outros pontos são interessantes de serem elucidados. As articulações recebem melhor seus nutrientes quando recebem movimento e carga, como cita esse artigo cientifico.
A degeneração da cartilagem acontece mais por inatividade física do que por exercício físico.Agache profundo e sempre, desde que você tenha flexibilidade no tornozelo, quadril e torácica e estabilidade no pé, joelho e lombar agachar profundamente é essencial para você e para suas pernas ficarem fortes e aguentarem as sessões de skate.
Cuidar do seu corpo é cuidar de você e prolongar sua vida útil sobre o skate.
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

sábado, 12 de maio de 2018

Importancia da mobilidade no skate

Hoje com as redes sociais se fazendo a cada dia mais presente dentro do skate, podemos ver quase que em tempo real a vida de vários skatistas, é muito comum vermos os skatistas usando ferramentas para melhorar a mobilidade, só que algumas vezes os próprios skatistas não sabem a real importância deste tipo de atividade. A diminuição ou perda da mobilidade e da funcionalidade articular é uma das principais causas na dificuldade de aprendizagem de novas manobras, redução na evolução e do desempenho físico no skate. Isso gera compensações e desequilíbrios musculoesqueléticos que certamente facilitam o surgimento de lesões.
O erro mais observado no skate é a projeção dos joelhos medialmente (para dentro) durante o agachamento (movimento do ollie), chamado de valgismo dinâmico. Nos primeiros graus de flexão, a causa mais comum é a ativação deficitária ou fraqueza da musculatura na região do quadril e lombar. A origem desse padrão de movimento está associada à deficiência de mobilidade no tornozelo, quadril ou ambos, uma pequena dica é voltar a atenção para as articulações adjacentes à região em questão.
Partindo deste princípio o raciocínio pode ser utilizado para todas as articulações. Nos momentos em que as articulações de mobilidade (tornozelo, quadril, coluna torácica e ombro) perdem sua característica, a próxima articulação estabilizadora (joelho, coluna lombar e escápulo-torácica) será acionada para produzir uma mobilidade compensatória, favorecendo o efeito cascata até a lesão.
Já as articulações de estabilidade tem por função promover uma situação segura para produção de força e potência, bem como permitir o correto deslocamento dos seguimentos corporais preservando os tecidos moles.
Hoje é imprescindível o ganho de mobilidade para todo o skatista, tanto pensando em performance quanto em prevenção de lesões, por isso mais do que nunca fazer uma avaliação de padrão de movimento é de fundamental importância, para saber quais articulações precisam ser mais trabalhadas e quais adjacentes devem ser observadas para evitar movimentos compensatórios. Trabalhar o ganho de mobilidade geral ajuda, mas com um direcionamento correto nas articulações que você mais precisa ajuda muito mais.
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.