sábado, 12 de outubro de 2019

Outubro Rosa e o Skate

O mês de outubro acabou de começar e acredito que com ele começa uma grande mudança dentro do skate mundial, uma mudança que já deveria ter ocorrido a muito tempo, mas antes tarde do que nunca.
O Berrics divulgou recentemente a inclusão da categoria feminina na sua já tradicional batalha. Acho isso muito importante já que o nível do skate feminino é altíssimo há muito tempo e nada mais justo que está igualdade para as mulheres que fazem muito pelo skate e não é de hoje. Para mim é importante ver o Berrics enxergar está questão, assim como a ÖUS fez no seu vídeo “Gato Preto” colocando a parte cabreira da Atali Mendes, mostrando que hoje o skate feminino é uma realidade.
E o mês de outubro é um mês importante para as mulheres, por conta da campanha de prevenção ao câncer de mama entitulada “Outubro Rosa”.
O Outubro Rosa é o mês que simboliza a campanha mundial que tem por objetivo alertar sobre a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos saudáveis para prevenir o câncer de mama. Com isso, a importância da atividade física, como o skate, no combate ao câncer tem sido destaque dos principais guias médicos de todo o mundo. Juntamente com a adoção de um estilo de vida mais saudável, a atividade física (ppode ser o skate ou qualquer outra) é um dos melhores aliados de quem quer fugir de doenças crônicas. Sabia que apenas 5% dos casos de câncer (qualquer tipo) são por predisposição genética. Ou seja, 95% dos casos estão relacionados a um estilo de vida sedentário e pouco saudável, principal fator para o crescente número de casos de doenças crônicas, incluindo as cardiovasculares, o diabetes e o câncer.
Grande parte dos casos acontece em adultos e afeta principalmente a mama, o pulmão, o intestino, o útero e a pele. Médicos e especialistas aconselham atividades física como o skate no combate ao câncer. A prática regular está relacionada a uma redução de até 30% no risco de desenvolver a doença, além de ser um efetivo mecanismo no controle de peso, levando em conta que cerca de um terço dos casos apresenta relação com sobrepeso, obesidade e elevados percentuais de gordura localizada. Nesta hora o skate é de suma importância, já que é uma atividade de alto gasto calórico, e além de fazer bem para a saúde física ele apresenta muitos benefícios para a saúde mental. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento ser bem sucedido, mas a prevenção ainda é o melhor remédio quando se fala do câncer de mama.
Por isso é importante um mês especial como o Outubro Rosa, para a conscientização da população. Mas não vivemos só de outubro, então que a valorização da mulher ocorra em todos os dias, meses e anos.
E para os amigos que ainda reclamam das meninas na sessão, lembrem se que elas manobram de verdade e que poderiam ser suas mães, mulheres ou filhas, então o respeito deve sempre prevalecer. Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

domingo, 29 de setembro de 2019

O skate de alto rendimento

Na última semana tivemos a passagem da Street League aqui por São Paulo, e com a proximidade do ano Olímpico o skate vem ganhando cada vez mais público. Em uma conversa com amigos escutei um tema novo para mim dentro do skate, o skatista de alto rendimento.
Fiquei pensando muito sobre isso, afinal em outros esportes, temos atletas de alto rendimento, mas para mim dentro do skate éramos todos skatistas, profissionais (por serem remunerados), amadores pelo tempo de prática, iniciantes para participarem de campeonatos, mas no fundo todos skatistas.
A palavra alto rendimento/performance ganhou força nos últimos 4 anos dentro do esporte com a chegada dos “coach’s” que acreditam que um determinado padrão de rotina diário, interferem no objetivo final do atleta, certo ou não, não estou aqui para julgar isso.
No skate essa palavra veio até mim como uma definição de skatistas que querem competir, que vão treinar seu skate para uma prova, campeonato, olimpíada ou algo do tipo. Só que no meu modo de ver essa palavra e este tipo de pensamento não se encaixa no skate. Não conheço um skatista que não saia de casa para acertar suas manobras, sejam elas para manter o skate o pé, se divertir, evoluir, ou competir. O mesmo vale para a preparação física, que pode ser feita para otimizar o desempenho físico, manutenção da saúde e para a prevenção de lesões, o que não necessariamente tem a ver com competição mas sim com a longevidade no skate.
O alto rendimento faz parte do skate desde o dia em que você pisa nele, afinal a “briga” do skatista é com ele próprio, o cara que ganha o Street League e o cara que aprende a subir na guia com seu skate estão dando o seu melhor ali naquele momento, e isso é o mais legal que se tem no skate, e ninguém vai conseguir tirar isso dele. A briga de ambos passa a ser aprender novas manobras, melhorar o estilo, andar em lugares diferentes, pensar em linhas que ninguém nunca fez, isso torna o skatista único e não o resultado final de uma competição, para mim a mágica do skate está aí, ele nunca tem fim.
Um atleta faz um ciclo de treino de 4 anos, vai na olimpíada, faz o seu melhor, ganha a medalha, bate um recorde ou não e volta realizado para casa e se prepara para um novo ciclo. No skate os recordes e medalhas são diários, basta olhar no Instagram, YouTube ou qualquer rede social e ver o quanto de manobras cabreiras são descarregadas todos os dias no mundo todo.
Skatistas sempre serão skatistas, a briga é pela evolução interna, e não uma disputa entre equipes que um ganha e outro perde, no skate todos ganham e isso é fácil de se perceber, só ir em qualquer campeonato e ver o cara que ficou em último lugar mas que acertou as manobras que queria saindo com um sorriso no rosto.
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Banda Iliotibial e os skatistas

Andar de skate é uma atividade prazeirosa mas que ao mesmo tempo exige um cuidado muito grande com o corpo. O quadril é o ponto gerador de energia para as manobras e também um local onde ocorrem muitas lesões nos skatistas, e hoje falaremos sobre uma delas a Síndrome da Banda Iliotibial.
A lateral da coxa possui uma faixa tendínea que tem origem no quadril, na região do ílio na pelve. Sua função seria de manter a relação entre quadril e joelho estabilizadas durante o movimento. Em casos patológicos, existe uma dor na lateral externa do joelho que pode também ser sentida acima da articulação, na direção do quadril. A dor na banda iliotibial pode acontecer por diversos motivos. No skate, pode acontecer por causa de fricção do tendão na parte óssea. Porém, um dos fatores mais significativos para o surgimento da patologia está na falta de força de musculaturas do quadril.
Os abdutores e rotadores externos da articulação são especialmente afetados, quero destacar aqui que o glúteo médio é um dos principais deles. Quando o skatista não tem força ou controle sobre os movimentos do quadril acaba com uma rotação interna no quadril e no joelho. Como resultado, a banda iliotibial fica sob estresse mecânico e é pressionada sob o epicôndilo femoral lateral.
Para conseguir avaliar o que causou, ou pode causar no futuro, a patologia, precisamos avaliar a posição do skatista durante as manobras. Existem diversos desequilíbrios musculares e até problemas posturais que levam ao excesso de compressão na banda iliotibial.
Um skatista realiza movimentos repetitivos diariamente e numa intensidade bastante alta. Quando existe um controle de movimento inadequado isso gera desequilíbrios que levam ao surgimento de lesões de quadril, e entre elas temos essa síndrome. Comece a observar seus movimentos na hora de realizar as manobras, procure por alterações de padrão de movimento, desvios como valgo dinâmico e outros. Qualquer desvio que possa aumentar o estresse na banda iliotibial deve ser observado. Após identificar os desequilíbrios que eventualmente levarão à síndrome, chega a hora de realizar a prevenção de lesões de quadril.
O objetivo é trabalhar principalmente com ativação de glúteo médio. Como resultado, o skatista consegue melhorar seu movimento do joelho. Outro aspecto que precisa de um trabalho cuidadoso é a mobilidade de quadril. Acredite ou não, mesmo skatistas profissionais costumam apresentar um quadril rígido e com pouca mobilidade. As compensações criadas pelo corpo para permitir o movimento podem gerar aquele estresse excessivo na banda iliotibial.
Cuidar do seu corpo é ter uma melhor qualidade de vida e prolongar seu tempo útil sobre o skate. Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

sábado, 31 de agosto de 2019

Qual o preço da evolução

Eu já me lesionei várias vezes andando de skate e hoje em dia aprendi a não me machucar, ou pelo menos a me machucar muito menos, muito pela preparação física específica para andar e outra pela minha mudança de comportamento.
É provável que a maior parte das lesões no skate, tirando os traumas diretos, aconteça por sobrecarga no corpo, e as partes mais afetadas são músculos, tendões e articulações dos membros inferiores. Isso muitas vezes acontece porque você passa do ponto durante as sessões andando de skate como se não houvesse amanhã. O corpo até envia alguns sinais para avisar que está no limite, como fadiga e dores musculares excessivas; por isso, você não pode ignorar um dos princípios básicos para prevenir lesões, que é reconhecer e respeitar os limites do corpo.
A condição emocional de alguns skatistas também pode estar relacionada com um número maior de lesões, já que existem pessoas mais competitivas, com ímpeto maior e uma necessidade maior de se superar. E também não é raro que pessoas com esse perfil não tenham paciência para respeitar o tempo adequado para se recuperar de uma eventual lesão; acabam voltando a andar antes do tempo e às vezes conseguem uma lesão ainda mais grave, aumentando o tempo de afastamento. Alguns até respeitam o período de recuperação, mas voltam querendo tirar o atraso das manobras e retomar logo o nível de skate antes da lesão, exagerando na intensidade das sessões e principalmente no nível das manobras. Fuja desse círculo vicioso!
Se você, nesse exato momento, está pensando em como voltar a andar depois de um período afastado por causa de uma lesão, a dica é primeiro receber alta médica e do fisioterapeuta que realizaram seu tratamento, melhorar seu condicionamento físico com treinos específicos ou não, voltar a andar de skate gradativamente, remar, fazer um solo, ganhar confiança para depois querer subir o nível das manobras.
A evolução no skate tem um preço alto, mas ele não pode te tirar sempre de cima do carrinho, respeite seu corpo, respeite seus limites e busque sua evolução subindo um degrau de cada vez.
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.

sábado, 24 de agosto de 2019

Fascite Plantar e o skate

A fascite plantar está entre as três patologias mais frequentes nos pés dos skatistas. Ela gera dor na sola do pé e tem como um dos cuidados caseiros mais comuns massagens com bolas de tênis ou algum outro tipo de bola rígida. De fato, essa recomendação pode ajudar, mas ela funciona melhor aliada a outros cuidados.
A bolinha é apenas parte de um tratamento, amassagem na sola do pé é muito utilizada no tratamento da fascite plantar, pois tende a aliviar os sintomas. Porém, ela dificilmente trata a causa do problema, que pode ser fraqueza muscular ou alto impacto. Por isso, é importante procurar um tratamento mais completo caso os sintomas não diminuam, pois a fascite plantar é uma patologia que tende a se tornar crônica.
Não faça massagem em um local muito dolorido, embaixo do calcanhar e em sua lateral interna. Esses são os pontos mais doloridos da fascite. Pressionar essas regiões de forma muito intensa não é recomendável, pois nelas há um processo inflamatório intenso, que pode piorar se a massagem se tornar uma agressão aos tecidos, neste caso o ideal são compressas de gelo e eletroterapia. Você pode utilizar a bolinha em toda a sola do pé, mas diminua a pressão ou evite os pontos mais doloridos.
Não tem que doer, é cultural imaginar que, para fazer efeito, essas massagens devem gerar dor. Mas isso nem sempre é verdade, ainda mais se você está fazendo sozinho, sem a supervisão de um profissional da saúde. A massagem deve ser firme, mas sem machucar. Você deve sentir pressão, não dor.
O Autocuidado é importante, mas não deixe que os sintomas fiquem muito intensos para procurar ajuda o que pode já ser tarde, e você precisar ficar afastado do skate por um longo período.
Lembre-se: ande de skate, evolua e divirta-se.